18/02/16

John Hurford "Later Graphic Work"

 

Nos finais dos 60s,  John Hurfordhttp://www.johnhurford.co.uk/ ) produzia os seus próprios posters que, nos dias de eventos, vendia à porta do Middle Earth e do Roundhouse.

Entretanto colaborou em publicações seminais como o International Times, OZ Magazine ou Gandalf's Garden, bem como na Dandelion Records de John Peel.

 Recentemente surge ligado à Shagrat Records http://shagratrecords.com/index.html ), uma pequena editora independente para quem tem criado algumas das mais fabulosas capas e flyers dos últimos anos.

 "Later Graphic Work" publicado na sua Wixon Editions, numa edição limitada de 200 exemplares, conta a história desta recente colaboração. Um regalo para a vista e um excelente aperitivo para a música.

15/02/16

Black Static Line "Enlil"



Natural de Nashville, Cole Street dedica  o seu tempo livre à prossecução de projectos musicais ligados ao pós-rock, drone e kosmische musik.
Depois dos Hollow Ox com quem publicou três álbuns, a plataforma actual chama-se Black Static Line.  Enlil retoma o trilho onde o anterior “Every vibrating body” se quedara. Como em Explosions in the Sky ou Hammock, as guitarras e a percussão são puxadas à frente ( “Feels broken”, “Rising” ),  o manto sonoro dos Windy and Carl é usado para cobrir “Vendue” e “Meigs”, enquanto o tema título e “Sweet Tooth” tentam colar-se ao paradigma Klaus Schulze.
Curioso, ainda que inovador não seja o adjectivo que melhor se lhe adequa

10/02/16

John Cale "Music for a new society / M:Fans"




Reconhecendo embora o enorme talento de Lou Reed, devo confessar que “o meu Velvet” foi e será sempre John Cale. Uma opinião evidentemente. Mas, do que se trata aqui  é realmente saber se falamos de talento ou se falamos de génio. E não, não é uma mera  questão semântica, existe de facto uma diferença entre o talento e o génio. O primeiro é constante, previsível; o segundo é absolutamente o oposto de ambos.

Comprei a minha cópia original de “Music for a new society” numa FNAC de Paris, em 1982. Produziu em mim o mesmo efeito hipnótico que os glaciares “Marble Index” e “Desert Shore ( coincidência, ambos produzidos por Cale ); uma espécie de mimetismo que se prolongava muito para além do tempo que duravam as canções/elegias que os integravam. Como todas as obras maiores “Music for a new society” não deixa ninguém indiferente. É o caso típico do clássico que, ou se ama, ou se detesta.

Há um par de anos, levei a capa do meu original a um “backstage” para que, entre o encantado e o surpreendido, o “big man himself” a autografasse.  Desde então não mais escutei o disco. Regressei agora, a propósito da reedição remasterizada do álbum original, acompanhada de “M:Fans” a transformação/recriação dos temas e a forma como Cale os olha hoje, 35 anos depois de terem sido escritos e gravados pela primeira vez.

Produzido num período complicado da vida do autor, “Music for a new society” é um disco denso e perturbador. A  frase “It’s a loving world to die in”, a encerrar essa extraordinária peça que é “Sanctus” e a ironia do cinzento “Damn life” incorporar notas da “Ode of Joy” de Beethoven, quase poderiam resumir toda a atmosfera do álbum.  Algures em 1983 Cale confidenciou numa entrevista que optou pelo título porque “The record is so dark, you’ve got to have something optimistic”.  


Distante, quer  de registos mais “amigáveis” como  Paris 1919” ou “Caribbean Sunset  ( aqui a maior proximidade reside no melódico “Close watch”  recuperado de “Helen of Troy” ) quer de brutais incinerações como “Honi Soit” ou “Sabotage”, “Music for a new society” está repleto de melodias envergonhadas que as colagens e os “overdubs” tornam quase imperceptíveis.

Inesgotável, este é um daqueles discos cuja audição nunca se pode afirmar completa. A cada nova investida existe sempre um detalhe, uma nesga de criatividade, que se descobre e   surpreende.  Tal como algumas das muitas curiosidades que encerra: a guitarra de Alan Lanier ( Blue Oyster Cult  ) em “Changes made”; a adaptação de “If you were still around”,  um poema publicado por Sam Shepard em “Motel Chronicles”, ou a colaboaração de John Wonderling,  muito provavelmente o autor do raríssimo “Daybreaks” ( 1973 ), um disco em cujo tema de abertura - “Long way home” - , são feitas elogiosas referências a Lisboa e ao Estoril.

Music for a new society” não é um disco para todas as horas nem para todos os dias. Antes um disco para sempre, porque na vida existirão sempre aqueles momentos de estranha cumplicidade, os quais nos conduzirão de novo até ele.

Nota: “M:Fans”, embora partindo das mesmas canções, é outra coisa muito diferente. Quem sabe, talvez um dia me sinta suficientemente confortável para sobre ele dissertar.

07/02/16

Artefactos ( 42 )


25 anos de Ptolemaic Terrascope, 10 anos de Terrascope Online.
A comunidade Terrascope está em festa e nada melhor do que comemorar com uma compilação de temas inéditos oferecidos pelas bandas que, desde sempre, gravitam em torno da comunidade.

O artefacto, "Paper Leaves - A Terrascope Celebration" uma edição privada e limitada a 200 exemplares, apresenta o seguinte alinhamento:


- Black Tempest "Terrescopula Tempestua"
- Nick Nicely "Dance away"
- Dead Sea Apes "Universal Translator"
- White Hills "Thermal Head"
- Ben Chasny "Dead and rising"
- The Left Outsides "Young girl cut down in her prime"
- Bevis Frond "Back in the churchyard"
- Bardo Pond "Pumori"

04/02/16

Judy Dyble "Anthology Part One"



Embora os radares instalados nunca tenham dado conta, Judy Dyble é um nome incontornável na música inglesa dos últimos 50 anos.

Precedeu Sandy Denny nos Fairport Convention. Imediatamente antes esteve com Robert Fripp em Giles, Giles & Fripp e imediatamente após com os Trader Horne.

Entretanto, tinha passado pelos Folkmen e entre outros, gravou com Richard Thompson, G. F. Fitzgerald, Incredible String Band e Lol Coxhill.

A discografia a solo é também ela extensa. “Anthology Part One” é o primeiro terço de uma retrospectiva que procura cobrir toda a carreira da cantora.

Aqui encontramos gravações inéditas ( demos ) com os Folkmen, Richard Thompson e Fairport Convention. O génio e a guitarra de Robert Fripp estão presentes nos quatro temas recuperados ao espólio de Giles, Giles & Fripp.  E a terminar, duas preciosidades a solo: “Better side of me”( 1972 ) escrita por Marianne Segal quando nos Jade e “I Hear a Song” ( 1973 ), um tema que poderia ter sido um êxito caso tivesse surgido uns meros três anos antes.

29/01/16

Heroes are hard to find ( 32 )


Paul Lorin Kantner
( 1941 - 2016 )

Já não há estrelas no céu

28/01/16

Lost Nuggets ( 101 )


Aiden Nolan "Tales from the sun" ( Spark SRLP 114 ) UK, 1974


- "Spaceman"
- "One cut on a limb"
- "Till I get me some Money"
- "Thursday"
- "Wasting my time"
- "Melanie Moonbeam"
- "Can't go on like this"
- "Rock you"
- "Laughing"
- "Sweet soft summer sound"
- "Q"
- "Down again"


Aiden Nolan ( canções, voz e guitarras ), com Ross Ward ( guitarra eléctrica ), Roy Giles ( baixo ), John A. Bird, Tony Ansell e John J. Francis ( piano ), Doug Gallagher e George Ambrosio ( bateria e percussão ) e Alan Luchetti ( flauta ).


Produção: John J. Francis


Capa: Douglas Holleley.

24/01/16

Heroes are hard to find ( 31 )



Kevin Júnior ( Chamber Strings )

( 1970 - 2016 )

18/01/16

Nadia Reid "Listen to formation, look for the signs"



Os diários da adolescência / juventude, genuínos e emotivos, são por vezes também maduros e eloquentes. Aos 24 anos, a recém chegada Nadia Reid, escreve e interpreta canções que ilustram a asserção. 
Listen to formation, look for the signs”, o álbum de estreia, levou sete anos a concluir. Logo, muitas canções terão sido escritas na pós adolescência. São nove temas de rara eloquência, mas também de uma significativa tristeza (“When I think of my favourite songs, they are devastatingly sad. Sad songs make me happy”), envolvidos por uma melancólica atmosfera country-folk.
É patente a influência da Flying Nun ( The Bats, Clean, The Chills ) natural para uma neo-zelandeza. A elegância Low ou Mazzy Star também não anda longe e até o paradigma Sharon Van Etten parece ter sido convocado para o evento.
Um álbum que pode significar o inicio de uma grande amizade.

14/01/16

Rock & Folk ( hors-série Psychédélique )


A capa, por si só, já era merecedora de toda a atenção, mas as 160 páginas de fazem esta edição especial da Rock & Folk dedicada ao fenómeno do psicadelismo, são puro deleite e representam um manancial de informações ( umas novas outras nem tanto ) nada negligenciável para quem como o Atalho se interessa pela matéria.

Da música à literatura, banda desenhada, fotografia, artes gráficas ou cinema, tudo é escalpelizado pelo saber antigo do velho gangue dos Philippes ( Thieyre, Garnier, Manoeuvre ) e restantes fiéis escudeiros.

No fundo cumpre o papel que qualquer revista deve ter: para além de informar, deve acrescentar algo mais ao que já sabíamos.

09/01/16

Lost Nuggets ( 100 )


Appaloosa "S/t" ( Columbia CS 9819 ) Lyric insert, USA, 1969


- "Tulu Rodgers"
- "Thoughts of Polly"
- "Feathers"
- "Bi-Weekly"
- "Glossolalia"
- "Rivers run to the sea"
- "Pascal's Paradox"
- "Yesterday's Roads"
- "Now that I want you"
- "Georgia Street"
- "Rosalie"


Appaloosa: John Parker Compton ( canções, voz e guitarra acústica ), Robin Batteau ( voz e violino ), Gene Rosov ( violoncelo ) e David Reiser ( baixo ); com Al Kooper ( piano, guitarras e arranjos de cordas ) e Bob Colomby ( bateria ).

Produção de Al Kooper.

Capa: fotos de Marie Cosindas e George Kraus.  

04/01/16

"Ork Records: New York, New York"




Alguns discos contam-nos histórias, outros relatam-nos a História. Uns e outros acabam na prateleira dos clássicos, mas os últimos têm papel importante na compreensão da cultura e do mundo à nossa volta. “Ork Records: New York, New York” é desses um exemplo maior.

Perspectivando: meados dos 70s. O prog-rock aproximava-se do seu estertor e o punk era ainda uma vaga ideia. O underground de Nova Iorque fervilhava e no palco do CBGB o rebuliço era grande.  Patti Smith e  Television deixavam o casulo. Terry Ork, um manager atento e perspicaz, criou a sua própria editora e, respectivamente, gravou os icónicos “Piss Factory” e “Little Johnny Jewel”. O resto é história, tão interessante quanto importante.


Sempre com o CBGB em mira e a New York Renaissance como pano de fundo, Ork e o sócio Charles Ball publicaram muita da música que definiu o tempo e o modo da cidade.  As primeiras composições dos Feelies, o EP de estreia de Richard Hell, Chris Stamey em processo de formatação dos dB’s, os Marbles, Alex Chilton na ressaca dos Big Star, Lenny Kaye escondido atrás dos Link Cromwell, Lester Bangs depois da Rolling Stone e da Creem, Peter Holsapple, Richard Lloyd …

“Ork Records: New York, New York” compila 49 temas com história. Desce à mais obscura das caves, trazendo à superfície pedaços de memórias que, doutra forma, nunca se conheceriam. O formato pode ser em vinilo ou cd; o fundamental é mesmo a música e as 109 páginas do livro que explica porque e como foi criada.