29/01/16

Heroes are hard to find ( 32 )


Paul Lorin Kantner
( 1941 - 2016 )

Já não há estrelas no céu

28/01/16

Lost Nuggets ( 101 )


Aiden Nolan "Tales from the sun" ( Spark SRLP 114 ) UK, 1974


- "Spaceman"
- "One cut on a limb"
- "Till I get me some Money"
- "Thursday"
- "Wasting my time"
- "Melanie Moonbeam"
- "Can't go on like this"
- "Rock you"
- "Laughing"
- "Sweet soft summer sound"
- "Q"
- "Down again"


Aiden Nolan ( canções, voz e guitarras ), com Ross Ward ( guitarra eléctrica ), Roy Giles ( baixo ), John A. Bird, Tony Ansell e John J. Francis ( piano ), Doug Gallagher e George Ambrosio ( bateria e percussão ) e Alan Luchetti ( flauta ).


Produção: John J. Francis


Capa: Douglas Holleley.

24/01/16

Heroes are hard to find ( 31 )



Kevin Júnior ( Chamber Strings )

( 1970 - 2016 )

18/01/16

Nadia Reid "Listen to formation, look for the signs"



Os diários da adolescência / juventude, genuínos e emotivos, são por vezes também maduros e eloquentes. Aos 24 anos, a recém chegada Nadia Reid, escreve e interpreta canções que ilustram a asserção. 
Listen to formation, look for the signs”, o álbum de estreia, levou sete anos a concluir. Logo, muitas canções terão sido escritas na pós adolescência. São nove temas de rara eloquência, mas também de uma significativa tristeza (“When I think of my favourite songs, they are devastatingly sad. Sad songs make me happy”), envolvidos por uma melancólica atmosfera country-folk.
É patente a influência da Flying Nun ( The Bats, Clean, The Chills ) natural para uma neo-zelandeza. A elegância Low ou Mazzy Star também não anda longe e até o paradigma Sharon Van Etten parece ter sido convocado para o evento.
Um álbum que pode significar o inicio de uma grande amizade.

14/01/16

Rock & Folk ( hors-série Psychédélique )


A capa, por si só, já era merecedora de toda a atenção, mas as 160 páginas de fazem esta edição especial da Rock & Folk dedicada ao fenómeno do psicadelismo, são puro deleite e representam um manancial de informações ( umas novas outras nem tanto ) nada negligenciável para quem como o Atalho se interessa pela matéria.

Da música à literatura, banda desenhada, fotografia, artes gráficas ou cinema, tudo é escalpelizado pelo saber antigo do velho gangue dos Philippes ( Thieyre, Garnier, Manoeuvre ) e restantes fiéis escudeiros.

No fundo cumpre o papel que qualquer revista deve ter: para além de informar, deve acrescentar algo mais ao que já sabíamos.

09/01/16

Lost Nuggets ( 100 )


Appaloosa "S/t" ( Columbia CS 9819 ) Lyric insert, USA, 1969


- "Tulu Rodgers"
- "Thoughts of Polly"
- "Feathers"
- "Bi-Weekly"
- "Glossolalia"
- "Rivers run to the sea"
- "Pascal's Paradox"
- "Yesterday's Roads"
- "Now that I want you"
- "Georgia Street"
- "Rosalie"


Appaloosa: John Parker Compton ( canções, voz e guitarra acústica ), Robin Batteau ( voz e violino ), Gene Rosov ( violoncelo ) e David Reiser ( baixo ); com Al Kooper ( piano, guitarras e arranjos de cordas ) e Bob Colomby ( bateria ).

Produção de Al Kooper.

Capa: fotos de Marie Cosindas e George Kraus.  

04/01/16

"Ork Records: New York, New York"




Alguns discos contam-nos histórias, outros relatam-nos a História. Uns e outros acabam na prateleira dos clássicos, mas os últimos têm papel importante na compreensão da cultura e do mundo à nossa volta. “Ork Records: New York, New York” é desses um exemplo maior.

Perspectivando: meados dos 70s. O prog-rock aproximava-se do seu estertor e o punk era ainda uma vaga ideia. O underground de Nova Iorque fervilhava e no palco do CBGB o rebuliço era grande.  Patti Smith e  Television deixavam o casulo. Terry Ork, um manager atento e perspicaz, criou a sua própria editora e, respectivamente, gravou os icónicos “Piss Factory” e “Little Johnny Jewel”. O resto é história, tão interessante quanto importante.


Sempre com o CBGB em mira e a New York Renaissance como pano de fundo, Ork e o sócio Charles Ball publicaram muita da música que definiu o tempo e o modo da cidade.  As primeiras composições dos Feelies, o EP de estreia de Richard Hell, Chris Stamey em processo de formatação dos dB’s, os Marbles, Alex Chilton na ressaca dos Big Star, Lenny Kaye escondido atrás dos Link Cromwell, Lester Bangs depois da Rolling Stone e da Creem, Peter Holsapple, Richard Lloyd …

“Ork Records: New York, New York” compila 49 temas com história. Desce à mais obscura das caves, trazendo à superfície pedaços de memórias que, doutra forma, nunca se conheceriam. O formato pode ser em vinilo ou cd; o fundamental é mesmo a música e as 109 páginas do livro que explica porque e como foi criada.

29/12/15

United Bible Studies "The Ale's what cures ye - Traditional songs from the British Isles"



Há anos que o colectivo mutante United Bible Studies percorre os roteiros ancestrais da música das ilhas  britânicas. Com um pé na Irlanda natal outro na Inglaterra rural, David Colohan, Michael Tanner e Richard Moult deambulam pela tradição, estudam-na criteriosamente e em seguida adicionam-lhe uma perspectiva moderna.

 The Ale’s what cures ye – Traditional Songs from the British Isles” é mais um delicioso entalhe numa obra que principiou a ser esculpida em 2001. Contando entre outros com a colaboração de Sharron Kraus, Alison O’Donnell e Alison Cotton, neste novo álbum, os UBS ficam a um pequeno passo de atingir a perfeição.

The Ale´s what cures ye” é um disco de rara, dilacerante, beleza. Resultado de uma escolha tudo menos óbvia, as canções projectam-se numa tela pintada por silêncios cúmplices. Décadas, séculos de melodias antigas, desfilam envoltos em sons do presente, estimulando a curiosidade e potenciando o exercício da comparação.

“Farewell Nancy”, “Sullivan’s John”, “The sweet streams of Nancy”, “The recruited collier”, “Twa Corbies”, “Waiting for another day”… Martin Carthy, Sweeney’s Men, Anne Briggs, Nic Jones, Tim Hart & Maddy Prior já passaram por elas em tempo, porém o que os United Bible Studies agora lhes aportam é algo de quase definitivo. Um dos álbuns mais bonitos do ano.

24/12/15

Jardins do Paraíso ( XXXXVIII )




A propósito da reedição remasterizada ( em formato de vinilo ) de  Born Sandy Devotional” dos Triffids, recupero alguns dos comentários que o álbum me mereceu quando da sua publicação.
 Fonte: Jornal “A Capital”, sábado,  11 de Outubro de 1986.

“ … Há muito tempo que um disco saído da música pop não retratava tão bem uma paisagem geográfica e social como “Born Sandy Devotional” dos australianos Triffids. Bastará que o leitor observe a capa do disco ( fotografia aérea da cidade de Mandurah, oeste da Austrália ) durante alguns momentos, para perceber que a foto não está lá por acaso e que os sons que irá encontrar, terão forçosamente a ver com a paisagem que lhe é sugerida…

Raining pleasure” e “Treeless Plain”, os dois álbuns anteriores davam já uma ideia do que poderia ser a arte dos Triffids. “Born sandy Devotional” é tudo o que os anteriores prometeram e mais ainda. Trata-se de um daqueles discos que se confundem com a paisagem onde foram criados…


Um enorme espaço percorrido pelo sol, por melodias incrustadas na preguiça do tempo; mas também pelo medo, pela busca, a perseguição e a desolação dos comportamentos humanos. Uma obra tanto mais verdadeira quanto implicitamente admite não existir o “paraíso australiano”, antes uma terra  que encerra riqueza, alimenta disparidades, ao mesmo tempo que expressa receios e desconfianças...

David McComb, o principal compositor, sugere ter herdado de Jim Morrison não apenas algumas tonalidades vocais mas também uma cruel capacidade para exprimir através da poesia tudo o que o estado de espírito humano pode encerrar em determinados momentos e ambientes …

Quanto à riqueza das melodias, sejam elas simples ou deliciosamente complicadas, o mais que poderá dizer-se é que acompanham  as “short stories” imaginadas e escritas por McComb …

Born Sandy Devotional” é enorme na sua transbordante narrativa.”

19/12/15

Lynched "Cold old fire"




Os rumores começaram a circular no inverno de 2013. Transformaram-se em noticia em Maio do ano passado, quando o cd “Cold old fire” foi publicado. Os responsáveis por toda esta agitação dão pelo nome de Lynched.

Dubliners,  inspiram-se nas memórias de Sweeney’s Men e  Woods Band, na beleza ancestral das ”irish sea songs”, enquanto em simultâneo revisitam o ecletismo cósmico da secular Incredible String Band.  Colam tudo isto com aquela energia anárquica que ainda hoje faz dos Pogues uma agradável recordação. Dito doutra maneira, com “Cold old fire” o quarteto de Dublin  produziu seguramente o mais excitante disco de música tradicional irlandesa desde há muitos anos.

Recém reeditado pelos próprios, em vinil e sob a forma de um duplo álbum, “Cold old fire” é um disco tão mágico quanto aditivo. Simples como só a tradição sabe ser, as audições preliminares  deixam a pairar uma discreta sensação de “dejá vu”, como se em 2014, Robin Williamson e Mike Heron regressassem ao futuro e nos presenteassem com uma das suas seus melhores colaborações.


Depois, audição sobre audição, tudo parece fazer sentido. As canções, lamentos sob a forma de baladas ou lendas cantadas “acapella”,  desfilam como gravuras antigas e torna-se quase impossível não mergulhar nos episódios da história que cada uma delas conta.

E, diria, todas têm uma história para contar, inclusivé “Cold days of February”, recuperada ao espólio de Robin Williamson / I S Band. Concretizar outros destaques seria no mínimo arriscado, “Cold old fire” resulta bem como conjunto ( de canções, histórias, ambientes, vocalizações ) e é aí que reside toda a sua beleza e extraordinária consistência.

 

13/12/15

Dave Heumann "Here in the deep"



Nos anos mais recentes, por via dos Arbouretum,  Baltimore voltou a ser colocada na mapa da música americana.
Agora que a banda do Maryland optou por um período sabático, Dave Heumann partiu para aquela que é a sua estreia a solo: “Here in the deep”.
E, descansem, os fãs do grupo nada têm a temer. Outra importância não tivesse, este disco serviria para provar que Arbouretum funciona como um veículo catalisador dos projectos do líder.
O psicadelismo encantatório, o “rural rock”  e o “drone folk” patentes em “Coming out of the fog” têm ampla sequência em “Here in the deep”. O fortíssimo trio de abertura ( “Switchback”, “Cloud mind”, “Ides of summer” ) fica muito bem ao lado do tradicional “Greenwood side”. Bastas e boas vibrações R.E.M. à solta, porém rapidamente dissipadas pela sonoridade Richard Thompson que emerge do épico “Ends of the earth”.
Tudo como deve ser portanto.

07/12/15

Jardins do Paraíso ( XXXXVII )


 

Nos anos idos de 1974, quando no Reino Unido o consumo da electricidade era racionado, o IRA  fazia explodir bombas nos pubs de Guilford e Birmingham e os tops eram dominados por Gary Glitter ou David Essex , os Courtyard Music Group, um colectivo estudantil escocês sediado na Kilquhanity House School de Galloway, gravou e publicou aquele a que já chamaram “The rarest of the rare of Acid Folk”:“Chan Eíl Ann Seo Ach Cuíd Dha’r Du Rachd Dhuít” ou, como é mais usualmente referido, “Just our way of saying hello”.
Colocando de lado o folclore associado à raridade – de acordo com o booklet que acompanha a reedição, na origem foram apenas manufacturadas 100 cópias das quais hoje só se conhecem 4 -, e no que à música diz respeito, importa dizer que o álbum, compara bem com outros discos míticos dos circuitos privados da folk da época como “Caedmon” ou “Stone Angel”.

A excelência da composição / interpretação é regra geral transversal a todo o álbum. Aqui e ali os arranjos surgem frágeis ( pueris ), mas a incontornável jam psicadélica “Jam and Gipsy Cream (Magician)” é seguramente algo que a Incredible String Band não se importaria de ter gravado ou que o lendário filme “The Wicker Man” gostaria de ter acolhido na respectiva banda sonora.
Levada a cabo pelos próprios, “Just our way of saying hello” é uma das reedições do ano. Pela história que lhe está subjacente, pelo simbolismo que reveste, mas sobretudo pela música que encerra, afinal a razão de todas estas coisas.