12/10/10

Killers, Angels, Refugees ( 19 )


"The house that Jack Kerouac built" ( R. Forster / G. McLennan )

You and I together, with nothing showing at all,
In a darkened cinema, I'll give you pleasure in the stalls.
Want to give you tenderness, and my affection too,
If it's through clenched teeth, that's what you're driven me to.
I want us to be lovers
I want us to be friends
Want it like; it's the living end.
Keep me away from her.

With your kittens, on the patchwork quilt,
Oh no, what am I doing here, in the house Jack Kerouac built.
There's white magic, and bad rock'n'roll,
Your friend there says, he's the gatekeeper to my soul.
The velvet curtains
The Chinese bell
With friends like these; you're damned as well.
Keep me away from her.

Shake off your despondency, and your country girl act.
You are reading me poetry, that's Irish, and so black.
I know you're warm, the warmest person alive,
But are you warm, deep down inside?
I want us to be lovers
I want us to be friends
Want it like; the world crumbles and then it ends.
Keep me away from her.

Baby, I'm lonely.
You're on the road with a bad crowd.



Publicado pelos Go-Betweens no último capítulo da chamada trilogia "double L" - "Spring Hill Fair" ( 1984 ), "Liberty Belle and the Black Diamond Express" ( 1986 ), "Tallulah" ( 1987 ) - "The house that Jack Kerouac built" está repleto de metáforas e alegorias. Indicia um fim de festa e "You're off the road with a bad crowd" talvez fosse uma opção a considerar...

06/10/10

The Freeways "The Freeways"


Por vezes, uma receita imaginativa e bem confeccionada produz excelentes resultados. Atente-se no caso dos Freeways.

A um preparado feito à base de pós-punk, adicionam-se duas colheres de new-wave e garage-punk, uma pitada de Feelies ( de preferência da marca Velvet ), tempera-se com um pouco de “paisley-underground” e no final junta-se uma vocalista muito bem apessoada. Vai ao estúdio e, algum tempo depois, é-nos oferecido um disco que, estando longe de ser um portento de inovação, se escuta com indisfarçável prazer.

Originários de Cambridge/Boston os Freeways, propulsionados pela vocalista Karen Zanes ( está por apurar se possui algum parentesco com o Dan Zanes que nos idos 80 liderou os também bostonianos Del Fuegos ) e pelo guitarrista Frank E. Butkuns, têm no registo homónimo o seu disco de estreia.

Logo a abrir, “Whenever you want me” diz ao que vem. Um “beat” tonitruante e um “fuzz” a condizer, agarram-nos pelos colarinhos e o mais sensato é não oferecer grande resistência, muito embora a incomodativa sensação de já se ter ouvido isto em qualquer lado. “Neon Light Show” é um encontro inusitado entre os X e os Rain Parade, enquanto “I’ll take it” e “Shake the Dope out” ( um original dos Warlocks ) fazem os cilindros regressar à mais alta rotação.


Sobre “Love is a sick thing” paira uma inesperada inflexão melódica, enquanto “Country” se posiciona a meio caminho entre o monolitismo Wooden Shjips e as paisagens rurais que os Passions de Barbara Gogan percorreram no inicio dos anos 80. “Casa Loma” são de novo os X, mas desta vez com Kendra Smith no lugar de Exene Cervenkova.

Numa audição cega, teria defendido que as guitarras que abrem e sustentam “Glass Eye” eram oriundas de um tema inédito dos Feelies. Naahh, com o evoluir da canção constato que afinal uma sessão dos Mazzy Star seria algo de mais apropriado. Idem para o californiano “End of summer”.

Não se pense no entanto que “The Freeways” é um disco despiciendo. Ao contrário, trata-se um magnifico trabalho de “copy/paste” altamente recomendado para todos aqueles que ainda não atingiram os 25 anos. Naturalmente, com a recomendação expressa de logo a seguir tratarem de escutar os originais….

02/10/10

Lost Nuggets ( 17 )


The Glass Family "Electric Band" ( Warner Brothers WS 1776 ) 1968

- "House of Glass"
- "Born in the U.S.A."
- "Once again"
- "Sometimes you wander (Henry's tune)"
- "The means"
- "Do you remember"
- "I want to see my baby" (Parrett-Green-Capilouto)
- "Lady Blue"
- "Passage #17"
- "Mr. Happy Glee"
- "Guess I'll let you go"
- "Agorn (Elements of Complex Variables)" (Parrett-Green-Capilouto)

The Glass Family: Ralph Parrett ( canções, voz e guitarra ), Davis Capilouto ( teclas e baixo ) e Gary Green ( bateria e percussão )

Produção de Richard Podolor

Capa: fotos de Fred Shapiro e Phil Kaufman; design de Ed Thrasher.

28/09/10

Artefactos ( 6 )


Em 1972, a propósito da publicação do primeiro disco oficial de Roy Buchanan para a Polydor, a Rolling Stone chamou-lhe “the Greatest unknown guitarist in the world” ( para se perceber melhor a hipérbole convém escutar o trabalho da guitarra em “the Messiah will come again” no álbum “Roy Buchanan” ) e a carreira deste predestinado natural do Arkansas ganhou um novo fôlego.

No ano anterior, de forma quase anónima, Buchanan publicara uma edição privada a que chamou “Buch and The SnakeStretchers”. O álbum saiu com o selo da BIOYA ( consta que numa edição limitada de 500 exemplares ), possui um qualidade áudio apenas mediana, uma versão interessante de “Down by the river” e, entre outros temas, demos de “Sweet dreams”, “I am a lonesome fugitive” e “The Messiah will come again”.

Porém o que tornou a edição conhecida e procurada pelos coleccionadores foi o invólucro: uma capa simples de cartão branco envolta num sugestivo saco de serapilheira, onde o nome do músico e título do disco surgem impressos a tinta, vermelha e preta. Um artefacto curioso ainda que do ponto de vista musical não absolutamente essencial.

25/09/10

Sandy Denny


Parece ser consensual entre os académicos da obra de Sandy Denny: a mais recente edição da revista R2, faz apenas a segunda capa da cantora e compositora em magazines musicais desde há mais de quatro décadas.

A primeira e até agora única ( foto abaixo ), foi publicada pelo histórico ZigZag de Pete Frame, em Abril de 1969.

22/09/10

The Rowan Amber Mill "Heartwood"


Oriundo de Devonshire / Inglaterra, The Rowan Amber Mill é um colectivo organizado em torno de Stephen Stannard ( canções, guitarra e voz ). Inclui Sharon Eastwood ( voz ) e Terry Stacey (baixo ) e faz do ancestral folk rural a sua paixão.

Movimentando-se no interior do legado do folk tradicional britânico de inspiração pagã ( vêm à memória a Incredible String Band, os Trees e o recente projecto “John Barleycorn Reborn”, ainda que o desenho das melodias aponte por vezes para a Albion Country Band ), “Heartwood” é o registo sonoro que melhor se funde com esta época do ano, numa altura em que as temperaturas se tornam mais amenas e a paisagem do campo, quando banhada pelo sol, adquire aquela tonalidade dourada que antecipa o fim do verão e anuncia a chegada do Outono.

Na verdade, Heartwood” só ganha em ser escutado, quando em simultâneo se desfruta da visão que uma seara ou uma vinha, à espera de serem colhidas, proporcionam. Sem constrangimentos de natureza urbana, temas como “English Shire”, “Face of Flowers”, “Patchwork Paint (Reprise)”, “The bees tell the trees” ou “The Hunter” ganham talvez a dimensão adequada, porventura aquela que esteve nos propósitos de Stephen Stannard quando decidiu escrevê-los. Este, certamente, o maior elogio que se pode fazer a “Heartwood”.

Para além de tudo isto e da voz, magnífica, de Sharon Eastwood, a par de uma publicação standard em caixa plástica, “Heartwood” conheceu também uma edição limitada em CD, com capa dupla de cartão reciclável, onde o “artwork” é artesanal. O nome da banda, o título do trabalho e a coruja “folk”, foram recortados e colados, letra a letra, peça a peça. Um “labour of love” pensado e executado por Stephen Stannard que só contribui para tornar ainda mais interessante este extraordinário artefacto.

18/09/10

Lost Nuggets ( 16 )


Global Village Trucking Company "S/t" ( Virgin C 1516 ) 1975

- "On the Judgement Day" ( Jon Owen )
- "Lasga's Farm" ( Cedric Beatty/James Lascelles )
- "Love your neighbour" ( David Aphorp/Jon Owen )
- "Short change/Tall Story" ( Jon owen )
- "Smiling revolution" ( Jon Owen )
- "Love will a find a way" ( Jon Owen )
- "If you don't mind (me saying)" ( Jon Owen )
- "The inevitable fate of Ms Danya Sox" ( Jon Owen )
- "Watch out there's a mind about" ( Jon Owen )

Global Village Trucking Company: Jon Owen ( voz e guitarras ), James Lascelles ( orgão, percussão e piano ), John McKenzie ( baixo ), Simon Stewart ( bateria e percussão ), Michael Medora ( guitarras e harmónica ), Pete Kirtley ( guitarras ); com Jim Cuomo ( sax ), Caromay Dixon e Monica Garrelts ( coros ).

Produção de Fritz Fryer.

Foto da capa de Ben Loftus. Design e grafismo de Peter Knipe.

15/09/10

Killers, Angels, Refugees ( 18 )


"The End of the Rainbow" ( Richard Thompson )

I feel for you, you little horror,
Safe at your mother's breast,
No lucky break for you around the corner;
'Cos your father is a bully
And he thinks that you're a pest,
And your sister she's no better than a wore.

Life seems so rosy in the cradle, but I'll
Be a friend, I'll tell you what's in store.
There's nothing at the end of the rainbow,
There's nothing to grow up for any more.

Tycoons and barrow boys will rob you,
And throw you on the side,
And all because they love themselves sincerely.
And the man holds a bread-knife
Up to your throat is four feet wide,
And he's anxious just to show you what it's for.

Your mother works so hard to make you happy,
But take a look outside the nursery door.
There's nothing at the end of the rainbow,
There's nothing to grow up any more.

All the sad and empty faces
That pass you on the street,
All running in their sleep, all in a dream
Ev'ry loving handshake
Is just another man to beat.
How your heart aches just to cut him to the core.

Life seems so rosy in the cradle,
But I'll be a friend, I'll tell you what's in store.
There's nothing at the end of the rainbow.
There's nothing to grow up for any more.



Por vezes regressar aos mestres é melhor forma de colocar os factos, sejam eles quais forem, na correcta perspectiva.

E quando, aparentemente, as coisas insistem em querer correr mal, nada melhor do que regressar a "The End of the Rainbow" ( publicada em 1974 no fenomenal "I want to see the bright lights tonight" ), uma das mais desconfortáveis "dark songs" alguma vez escritas.

A frieza da melodia e o minamalismo dos arranjos geminam com o "insuportável" cepticismo do texto. A fé na condição humana nunca foi uma das características de Richard Thompson, mas perante algo como isto até os momentos mais sombrios de Peter Hammill ou Randy Newman poderiam desfilar num corso de carnaval.

12/09/10

The Green Pajamas "The Red, Red Rose"


Maus tratos e perseguições no recreio da escola existem desde que me lembro. A internet e as novas tecnologias apenas amplificaram a bestialidade. Parece que agora lhe chamam "bullying"...
A maior incidência mediática, não contribuiu porém para a resolução do problema e Phoebe Prince foi mais um caso. Que infelizmente acabou mal.

"The Red, Red Rose" era a este respeito uma canção que precisava ser escrita. O tema merecia e Jeff Kelly mostrou-se atento e disponível para o fazer. O debate e reflexão acerca da matéria agradecem.

Para além deste aspecto, "The Red, Red Rose" é mais uma magnifica canção na tradição musical dos Green Pajamas. O EP a que dá título inclui mais quatro canções, das quais merecem especial referência: "Just another perfect day" ( uma versão consolidade e mais adulta da demo publicada na edição CD de "Narcotic Kisses" ) e "Raise ravens", dois opus mais a juntar ao melhor "songbook" de um colectivo cujo talento parece inesgotável.

09/09/10

Lost Nuggets ( 15 )


Touchstone "Original Cast Album from Tarot" ( United Artists Records UAS 5563 ) 1972

- "The Turtle" (Dresher)
- "Greed" (Constanten)
- "The Thief of Cups" (Fayer/Steele/Hirsh)
- "Harlequin (The fool's theme)" (Constanten)
- "The maiden's waltz" (Constanten)
- "The lover's walk in the magic florest" (Constanten)
- "The birth of the hermit/Mandala Music" (Dresher)
- "The mystic carpenter" (Constantane)
- "The chariot space voyage/The star" (Dresher/Constanten)
- "The Moon" (Constanten)
- "The old fool's reel" (Constanten)
- "The devil/The fight" (Steele/Dresher)
- "Limbo" (Dresher/Byers)
- "The Turtle" (Dresher)

Touchstone: Tom Constanten ( teclas ), Paul Dresher ( guitarras e flauta ), Gary "Chicken" Hirsh ( percussão ), Wes Steele ( baixo e violoncelo ), Art Fayer ( violino ), Jim Byers ( guitarra clássica ) e Ruber Duck ( tamborim ).

Gravado entre 21 e 24 de Abril de 1971 no Electric Lady Studios em Nova Iorque.

Produção e arranjos: Touchstone.

Design e Fotos da capa: Norman Seeff.

06/09/10

"The Acid Archives" Patrick Lundborg


Para todos os que se interessam pelas linguagens folk e psicadélica da música americana e fazem da curiosidade sobre o tema uma forma de vida, livros como o que Patrick Lundborg acaba de reeditar são quase uma bênção.

The Acid Archives” é um elaborado compêndio, espécie de levantamento crítico, organizado por Lundborg com a colaboração de um conjunto de experts e coleccionadores devotos, com o objectivo de sinalizar e guardar para memória futura, os nomes, os discos e as edições mais significativos do underground norte-americano ( Canadá incluído ) entre os anos de 1965 e 1982.

É, se quiserem, um trabalho minucioso – arqueológico - , uma vez que grande parte das edições referidas no livro foram na origem “private pressings” e, como tal, os respectivas lançamentos, por motivos que se relacionavam com taxas e impostos, não atingiram sequer os 100 exemplares.

Este projecto a que Lundborg meteu ombros há cerca de 15 anos, constitui uma tarefa em permanente actualização ( conforme fica patente nesta segunda edição, agora aumentada em 100 páginas e graficamente apresentada de forma mais apelativa com as fotos a serem reproduzidas a cores ). Daí que, embora nunca se possa considerar terminado, “The Acid Archives, A Guide to Underground Sounds 1965-1982”, seja uma referência cada vez mais incontornável do ponto de vista histórico e bibliográfico.

Patrick Lundborg lançou o desafio. Agora a curiosidade e a persistência dos interessados fará (ou não) o resto.

01/09/10

"Ghosts from the Basement" e "Rough Trade Shops Psych Folk 10"


Os recentes “Ghosts from the Basement” e “Rough Trade Shops Psych Folk 10” representam duas das melhores compilações a que qualquer aficionado do folk pode aspirar. Ambas fazem todo o sentido e ambas procuram contar uma história, como de resto deve acontecer com qualquer compilação digna desse nome.

Ghosts from the Basement, lost songs, dreams and folkadelia from the vaults of Village Thing, 1970-74”, como se infere do título, narra a história da Village Thing, uma pequena editor independente criada e mantida por Ian A. Anderson e que no curto período em que operou colocou no mercado cerca de duas dezenas de álbuns de artistas folk ( ingleses mas não só ). Um assinalável e talentoso conjunto de almas penadas que espiavam as respectivas penas no “underground”, espaço onde a grande maioria acabaria por se quedar.

De facto, exceptuando os casos de Derroll Adams, Ian A. Anderson (hoje editor da Folk Roots) e Wizz Jones, os restantes artistas publicados pela Village Thing – Steve Tilston, Chris Thompson, Lackey & Sweeney, Al Jones, Dave Evans, Hunt & Turner, The Sun Also Rises – desapareceram dos radares tal como a quase totalidade dos respectivos discos, hoje verdadeiros “Holy Grails” que só muito raramente acedem a mudar de mãos ainda que a troco de preços insanos.



Para além da componente histórica “Ghosts from the Basement”, funciona como uma espécie de ponta do iceberg. A excelência de alguns dos temas e a competência instrumental ( o fingerpicking em alguns trechos roça a perfeição ) própria da época, deixa no ar uma enorme e justificada curiosidade ( Chris Thompson, Lackey & Sweeney, Al Jones e Dave Peabody por exemplo, deixaram o Atalho com a pulga atrás da orelha ).

A partir daqui, Ian A. Anderson, tal como o próprio deixa perceber nas notas que escreveu para o booklet da compilação, terá começado a pensar em reeditar a maioria, porventura a totalidade do catálogo da sua velha editora. Uma decisão que se saúda pelas razões que julgo terão ficado claras atrás.

O pontapé de saída para a campanha será dado em Londres no próximo 25 de Setembro, quando a propósito da celebração dos 40 anos da editora, parte destes artistas se reunir na Cecil Sharp House para um festival, ao lado de filhos/netos espirituais como The Owl Service, Nancy Wallace ou Ellen Mary McGee.


Quanto a “Rough Trade Shops Psych Folk 10”, será talvez a face mais recente e actual da mesma moeda. A história que se procura contar aqui não terá ainda a necessária consistência, mas ao incluir de temas de gente tão talentosa quanto Jack Rose, Espers, Alasdair Roberts, Trembling Bells, Hush Arbors, Six Organs of Admittance ou Voice of the Seven Thunders e, significativamente, ignorar nomes como as Joannas, os Devendras ou CocoRosies, antecipa a garantia de que mais cedo ou mais tarde, a história do “psych folk” do inicio do século XXI vai ter de ser contada.