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26/04/12

Artefactos ( 26 )

A milhas cósmicas de distância, "A Memória do Elefante" (1971-1974), permanece a revista/fanzine mais inteligente, inovadora e marcante de todas quantas foram publicadas em Portugal sobre música ( primeira fase do Blitz incluída ).

12/03/12

"Rock, Pop, Un itinéraire bis en 140 albuns essentiels"


A edição já tem uns anos ( Le mot et le reste, 2006 ) e a presença nas prateleiras da biblioteca do Atalho data de 2009. Habituei-me a olhar de soslaio para aquelas edições - algures entre o piroso e o oportunista - do tipo: "Os 1000 discos a ouvir antes de morrer". Sempre achei que começar a ler qualquer coisa desse tipo era entrar na rota do tédio, do mau gosto e de uma morte intelectual previamente anunciada.

140 albuns essenciais? Um número como qualquer outro. Sempre é bem melhor que 1000. Decidi dar uma oportunidade a Philippe Robert. "Un itinéraire bis en 140 albuns essentiels" revelou-se "une réussite"!

Muito embora Robert não seja propriamente um talento da palavra, denota apuradissimo bom gosto e aquela sensibilidade histórica que os franceses sempre possuem relativamente ao que é importante. No conjunto dos 140 não existe um único álbum que eu retirasse, antes pelo contrário, gostaria de ter visto incluídos mais uns quantos.

De todo o modo, o resultado é magnífico, inteligente e didáctico. Um belissimo instrumento para o inicio da construção/consolidação da discoteca ideal.

15/12/11

Jacques Vassal, Randy Newman e eu


Finais de 1979. Numa das minhas primeiras visitas a Paris, tinha previamente planeada uma conversa/entrevista com Jacques Vassal, redactor da revista Rock & Folk e, à data, uma das referências continentais no que dizia respeito à música de inspiração folk americana, britânica e francesa.
 

Encontrada a rua e o número, transposta a enorme e característica porta de madeira que os velhos edifícios parisienses sustentam e consultada a “concierge” – “Monsieur Vassal, 1er étage, s’il vous plait” – subimos ( eu e o João ) as escadas e tocámos a respectiva campainha. 30 segundos volvidos , nada aconteceu. No interior do apartamento eram perfeitamente audíveis o piano e voz inconfundíveis de Randy Newman. Nova insistência, não fora a campainha não ter cumprido devidamente os propósitos para os quais ali tinha sido colocada. A porta permaneceu fechada. Lá dentro, a voz nasalada de Newman continuava a arrastar-se por entre as palavras de “Sail Away” .



Por fim calou-se. Segundos depois a porta abriu-se e Monsieur Vassal, ostentando um sorriso de orelha a orelha, fez as honras da casa enquanto simultaneamente pedia desculpa por não ter aberto a porta atempadamente … Era uma regra sua não o fazer enquanto a canção, qualquer canção em escuta, não terminasse.
A esta regra, que fazia questão de cumprir religiosamente, acrescia o facto de Randy Newman ter agendado para essa mesma noite um concerto no Teatro dos Campos Eliseos e, como tal, “precisava de reescutar a sua discografia para se preparar”.




Recordo-me de termos falado de Randy Newman, do seu humor corrosivo, das suas canções peculiares e do estatuto que a sua música principiava a ganhar na Europa. Julgo que não cheguei a abordar com Monsieur Vassal nenhum dos assuntos que me tinham levado a procurá-lo. A dada altura, pediu imensa desculpa mas por razões profissionais necessitava de voltar a escutar Little Criminals”, outro álbum seminal do californiano. E como tal …

Escusado será dizer que a performance de Randy Newman dessa noite foi, aos meus olhos e ouvidos, absolutamente assombrosa. Entre outras coisas, recordo-me que, quando a última nota do piano de “Old man” se dissipou na acústica do Theatre des Chanps-Elysées, e imediatamente antes da sala ribombar em aplausos, na assistência alguém gritou: “Parfait!”. Terá sido Monsieur Vassal?





 

02/12/11

"Les Années Psychedeliques" Philippe Thieyre



Com o selo da Desinge & Hugo & Cª, está nas bancas "Les Annees Psychedeliques", o novo opus do jornalista, crítico e historiador francês Philippe Thieyre.


Desta vez, em lugar de se deter exclusivamente sobre as bandas, ou os designers, o autor procura lançar as bases para a discussão do fenómeno social que esteve na origem e desenvolveu o psicadelismo 60s.


Nada que se assemelhe à invenção da roda, mas qualquer achega sobre o tema é bem vinda, sobretudo quando o "apport" nos chega de alguém que sabe do que fala.

25/03/11

Artefactos ( 15 )


"Cream Puff War" é um "killer-track" escrito por Jerry Garcia em 1967. Foi publicado em single e integrou o primeiro álbum dos Grateful Dead, quando a banda ainda hesitava entre o "garage", o blues e o psicadélico.

Cerca de 25 anos mais tarde "Cream Puff War" seria o título de capa de uma fanzine concebida e produzida por Jud Cost e Alec Paleo. O âmbito, como o título deixa antever, era a música produzida em São Francisco, o chamado "bay area sound".

O primeiro número inclui magnificos textos sobre Great Society/Jefferson Airplane, Flamin' Groovies, Mystery Trend e Vejtables. O segundo e último debruça-se sobre os Charlatans, Chocolate Watchband, Syndicate of Sound ou Otherside.


O projecto ficou a meio mas foi responsável pelo florescer de muitas fanzines dedicados ao tema.

Hoje grande parte do que a Sundazed e a Big Beat resgatam das caves do psicadelismo californiano tem a assinatura de Cost e Palao.

13/02/11

"Endless Trip"


Enquanto “Galactic Ramble” se foca nas músicas folk, jazz, blues e rock britânicas, o seu irmão gémeo, “Endless Trip” , perfilhando a mesma estrutura, replica-o para os EUA e Canadá.

O texto introdutório de Lenny Kaye é interessante embora não tão determinante quanto outros textos do autor. Sempre que localizadas, a reprodução das críticas publicadas à data da edição dos discos são em si mesmas um instrumento que, entre outras coisas, permite ajuizar até que ponto estes álbuns se encontram ou não datados.

Será certamente um preconceito meu, mas estou a esforçar-me bastante para perceber a inclusão de algumas referências ao pop e ao soul . O editor ( Richard Morton Jack ) terá por certo as suas razões, mas não andarei muito longe da realidade se afirmar que a esmagadora maioria dos interessados no conteúdo deste livro deverá ter um interesse “marginal” nos Jackson 5, por exemplo.

Dito isto, é justo referir que o livro denota particular cuidado com os detalhes, desde logo os históricos, constituindo mais uma magnifica fonte de informação para todos os que se interessam por estas coisas.

29/01/11

Artefactos ( 12 )

Embora algo incipiente a primeira tentativa para escrever a história do psicadelismo ( USA e UK ) foi levada a cabo por Vernon Joynson em 1984, através de “The Acid Trip, a Complete Guide to Psychedelic Music” ( Babylon Books ).


Rapidamente se percebeu que de “completo” o guia tinha muito pouco e o próprio Joynson – depois de uma nova incursão falhada com “The Flashback, After the Acid Trip” ( Borderline Productions, 1988 ) – optou por colocar no título um termo mais abrangente e partiu para a série “Fuzz, Acid and Flowers, a Comprehensive Guide to American Garage, Psychedelic and Hippie Rock 1964-1975”, cuja primeira edição surgiu em 1993.


Porém o trabalho mais consistente e factualmente competente sobre o psicadelismo americano foi publicado em língua francesa no inicio dos 90s. “Le Rock Psychedelique American 1966-1973” foi compilado e escrito por Philippe Thieyre e lançado pela alternativa Editions Parallèles cuja livraria / discoteca ainda hoje mantém as portas abertas no número 47 da Rue Saint-Honoré em Paris.


O “Volume 1” ( letras A a L ) foi posto à venda em 1991 e incluía um EP com temas de Condello, Glass Family, Dragonfly e Growing Concern. O “Volume 2” ( Letras M a Z ) seguiu-o cerca de dois anos depois. Ambos desapareceram num ápice, como que dando razão a um velho amigo que a propósito destas coisas resmunga um aforismo muito pessoal: “quem comprou comprou, quem não comprou tivesse comprado, estava lá era para isso”.



Por fim devo confessar que vinte anos, vários guias e enciclopédias depois, quando procuro algo sobre este assunto, Philippe Thieyre é sempre a primeira fonte consultada. Quanto a factos, mas sobretudo no que à opinião diz respeito.



Creio que não valerá de muito procurarem as edições originais do trabalho ( nem mesmo junto das melhores “ourivesarias” ), mas com um pouco de paciência e de sorte ainda deve ser possível localizar a reedição de 2000 que, com uma nova e muito apelativa capa dura, compila os dois volumes anteriores.

01/01/11

"Psychedelic Vinyls 1965 - 1973" Philippe Thieyre


Um regalo para a vista, o novo livro de Philippe Thieyre ( Éditions Stéphane Bachés ) privilegia a componente gráfica e reproduz qualquer coisa como 1.350 capas de discos. Para além de lúdico é também pedagógico uma vez que os discos são todos devidamente enquadrados na cena e familia musical de onde são oriundos: São Francisco, Los Angeles, Texas, Boston, Nova Iorque, Detroit, Canadá, UK, Itália, Alemanha, Holanda, etc.

Sempre que identificados, aos verdadeiros protagonistas - designers, fotógrafos e gráficos - é atribuido o merecido (devido) crédito.

Uma obra exaustiva e inspiradora, naturalmente recomendada aos habituais peregrinos deste blog.

18/11/10

"Fuzz Acid and Flowers" Vernon Joynson


Terceira edição da saga "Fuzz Acid and Flowers, a Comprehensive Guide to American Garage and Hippie-Rock" coordenada por Vernon Joynson.

O campo de pesquisa alargou-se mais uma vez ( encontra-se agora compreendido entre 1963 e 1977 ) e o número de páginas aumentou de 1100 para 1400. Opções que para além de começarem a parecer algo ridículas, tornam quase impossível o manuseamento do volume.

A qualidade dos textos nunca foi de primeira água. Ao contrário, a informação disponibilizada, revela-se útil e quase sempre fiável. Ainda assim longe do criterioso e conciso "The Acid Archives" de Patrick Lundborg ou do pioneiro "Le Rock Psychédélique Américain" de Philippe Thieyre que aqui abordarei por um destes dias.

05/11/10

Artefactos ( 8 )


Peter Hammill, com ou sem Van der Graaf Generator, é objecto de um culto quase religioso aqui pelo Atalho. As razões são inúmeras e porventura também geracionais. Contudo, contabilizo a meu favor o facto de hoje ser já consensual que se trata de um artista sem paralelo na música inglesa das últimas décadas. Hermético por vezes, complexo sempre, emotivo a espaços, absolutamente independente e nunca adepto do facilitismo. Um "renegado do impressionismo" como alguém em tempos lhe chamou.

Nem todos os seus discos são essenciais, naturalmente. Mas na relação "número de álbuns/obras primas", o rácio das últimas encontra-se bastante acima da média. E apesar da persistente e continuada ausência de atenção por parte da imprensa "mainstream", já nem é necessário Johnny Rotten ou Julian Cope saírem em sua defesa. Após 40 anos, já não é mais possível ignorar o óbvio.

Ao acaso, reproduzo abaixo algumas provas materiais desta espécie de liturgia.


"Van der Graaf Generator, The Book" ( em cima ) por Jim Christopulos e Phil Smart, numa edição privada datada de 2005. Ao longo de mais de 300 páginas e outras tantas fotos, conta TODA a história de VDGG e Peter Hammill no período compreendido entre 1967 e 1978. Um "must" absoluto.

"Killers, Angels, Refugees" ( em baixo ) na edição original da Charisma Books datada de 1974. Inclui as letras dos temas de Hammill até ao álbum "Chameleon in the shadow of the night", comentários acerca das canções e algumas "short stories".


Por fim, duas pequenas contribuições do "yours truly" para a causa.


Texto publicado no número 93 do jornal "Musicalíssimo" ( 9 de Agosto de 1974 ) e uma foto da entrevista a Peter Hammill co-realizada com Belino Costa para o "Jornal Se7e" em Dezembro de 1982, na véspera dos concertos promocionais de "Enter K", dias 17 ( Pavilhão de Alvalade ) e 18 ( Pavilhão Infante de Sagres ).

16/10/10

Artefactos ( 7 )








Embora os Fairport Convention, Steeleye Span, Pentangle, Sandy Denny ou a Incredible String Band, fizessem há muito parte da minha dieta musical, quando tomei contacto com "The Electric Muse, The story of folk into rock" ( uma caixa incluindo 4 álbuns e um detalhado booklet, publicada em 1975, num esforço repartido entre a Island e a Transatlantic Records ), o impacte foi semelhante ao que experimentara um par de anos antes com a compilação de Lenny Kaye para a Elektra: o seminal "Nuggets, Original artyfacts from the first psychedelic era". E, acto contínuo, os meus horizontes nesta matéria ( o folk e o folk-rock ) aumentaram significativamente.

Todas as canções incluidas haviam sido anteriormente publicadas, mas o simples facto de surgirem agrupadas na mesma edição, conferiu-lhes uma dimensão que a história deixou de poder ignorar. Terá sido porventura uma das primeiras tentativas sérias de abordar o folk britânico numa perspectiva sociológica. O livro ( foto abaixo ) que os responsáveis da compilação publicaram em simultâneo com a edição discográfica foi também decisivo no atingir desse desiderato.

06/09/10

"The Acid Archives" Patrick Lundborg


Para todos os que se interessam pelas linguagens folk e psicadélica da música americana e fazem da curiosidade sobre o tema uma forma de vida, livros como o que Patrick Lundborg acaba de reeditar são quase uma bênção.

The Acid Archives” é um elaborado compêndio, espécie de levantamento crítico, organizado por Lundborg com a colaboração de um conjunto de experts e coleccionadores devotos, com o objectivo de sinalizar e guardar para memória futura, os nomes, os discos e as edições mais significativos do underground norte-americano ( Canadá incluído ) entre os anos de 1965 e 1982.

É, se quiserem, um trabalho minucioso – arqueológico - , uma vez que grande parte das edições referidas no livro foram na origem “private pressings” e, como tal, os respectivas lançamentos, por motivos que se relacionavam com taxas e impostos, não atingiram sequer os 100 exemplares.

Este projecto a que Lundborg meteu ombros há cerca de 15 anos, constitui uma tarefa em permanente actualização ( conforme fica patente nesta segunda edição, agora aumentada em 100 páginas e graficamente apresentada de forma mais apelativa com as fotos a serem reproduzidas a cores ). Daí que, embora nunca se possa considerar terminado, “The Acid Archives, A Guide to Underground Sounds 1965-1982”, seja uma referência cada vez mais incontornável do ponto de vista histórico e bibliográfico.

Patrick Lundborg lançou o desafio. Agora a curiosidade e a persistência dos interessados fará (ou não) o resto.

11/08/10

"Electric Eden, Unearthing Britain's Visionary Music" / Rob Young


"In this groundbreaking survey of more than a century of music-making in the British Isles, Rob Young investigates how the idea of folk has been handed down and transformed by sucessive generations - song collectors, composers, Marxist revivalists, folk-rockers, psychedelic voyagers, free-festival-goers, experimental pop stars and electronic innovators. In a sweeping panorama of Albion's soundscape that takes in the pioneer spirit of Cecil Sharp; the pastoral classicism of Ralph Vaughan Williams and Peter Warlock; the industrial folk revival of Ewan MacColl and A. L. Lloyd; the folk-rock of Fairport Convention, Sandy Denny, Nick Drake, Shirley Collins, John Martyn and Pentangle; the bucolic psychedelia of The Incredible String band, The Beatles and Pink Floyd; the acid-folk of Comus, Forest, Mr Fox and Trees; 'The Wicker Man' and occult folklore; the early Glastonbury and Stonehenge festivals; the visionary pop of Kate Bush, Julian Cope and Talk Talk, 'Electric Eden' maps out a native British musical voice that reflects the complex relationships between town and country, progress and nostalgia, radicalism and conservatism. A wild combination of pagan echoes, spiritual quest, imaginative time-travel, pastoral innocence and electrified creativity, 'Electric Eden' presents a passionate and intelligent landscape reading of this island's music, and the spirit that informs it."

O texto acima, retirado da contracapa do livro, sintetiza tudo ou quase tudo, aquilo que leitor irá encontrar nas cerca de 600 páginas que resultam da investigação e análise de Rob Young. Poderá não se concordar com todos os pontos de vista expressos pelo autor ou com algumas das conclusões a que chega. Porém "Electric Eden" é uma leitura apaixonante, repleta de detalhes deliciosos ( a descrição da peregrinação de Vashti Bunyan, do namorado, da égua Bess e do cachorro Blue, através das Midlands e das Highlands no final dos anos 60, é de ir ás lágrimas ) e um dos mais sérios contributos para a conhecimento e preservação da história da música britânica do século passado.

16/07/10

"The famous Charisma Discography"


Um novo trabalho de pesquisa e sistematização, dedicado a uma das mais “carismáticas” editoras independentes da Grã-Bretanha nos idos anos 60 e 70 do século passado: a Charisma Records.

Os anos/décadas vão desfilando e a curiosidade e o interesse na história das edições originais da Famous Charisma Label não param de aumentar. Como consequência natural, o respectivo valor de mercado cresce na proporção.

“The Famous Charisma Discography, a 40th anniversary celebration” constitui um magnifico trabalho de Mark Jones e foi publicado numa edição semi-privada pela The Record Press. Numa primeira edição limitada a 700 exemplares, com a minúcia própria do coleccionador e o carinho do fã, Jones conta a história da editora e escalpeliza todas as edições originais da Charisma entre 1969 e finais dos anos 80. E o todas aqui significa: álbuns, singles, maxi-singles, cassetes, promos, picture-discs, CDs e 8-track cartridges.

Depois disto e salvaguardando os eventuais pequenos lapsos/lacunas que este tipo de trabalho sempre acarreta, julgo que nada mais ficará por dizer sobre o tema. Pena que não tivesse sido possível incluir fotos de alguns dos items.

20/01/10

Philippe Garnier "Freelance, Grover Lewis à Rolling Stone"


Os textos que Philippe Garnier publicou na revista Rock & Folk entre 1976 e 1984 contribuíram para mudar a minha vida.

Se alguém, aparentemente com a mesma facilidade com que respira, escreve várias e absorventes páginas sobre temas tão diversos como: filmes de Série B, as estradas da Califórnia, o romance negro ( Dashiell Hammett, John Fante, James Cain, William Burnett ), a máfia, Patti Smith, X, Punk, Wall of Voodoo, Hollywood ( Coppola, Ford, Capra, Dirty Harry, Peckinpah, Burt Lancaster, Mitchum, Bogart ), Cramps, J. J. Cale, Plimsouls, Montana e os seus escritores ( McGuane, Rick Bass, Richard Brautigan ou Jim Harrison, este muito antes de Anthony Hopkins e Bradd Pitt terem ajudado a fazer do seu “Legends of the fall” um sucesso )…., então eu também deveria investir o meu tempo na pesquisa, conhecimento e divulgação daqueles temas, ainda que no caso fosse óbvia a ausência daquele ”pequeno detalhe” que dizem ser importante nestas coisas: talento.

(Philippe Garnier)

Garnier deixaria o Rock & Folk quando a linha editorial, eventualmente condicionada pela ausência de matéria prima de qualidade, começou a tergiversar. Continuei a segui-lo. No Libération, Les Inrockuptibles e, mais tarde, nos periódicos de Los Angeles. Raramente me desiludiu. São significativas e habitualmente certificado de garantia as traduções que efectuou de obras de escritores como John Fante, James Crumley, Bukowski, James Salter ou Chris Offutt .

Porém, verdadeiramente obrigatórios, expoentes do melhor jornalismo cultural gaulês, são os livros que foi publicando ao longo do tempo. “Goodis, la vie en noir et blanc”, um ensaio sobre o romancista David Goodis; “Maquis”, uma lenta e apaixonante travessia das paisagens interiores da América, com paragens para visitas guiadas ao universo de autores como Rick Bass, Larry Brown ou Dan O’Brien; “Honi soit qui Malibu” , o regresso às obras , aos scripts e às histórias de William Burnett, James Cain ou Horace McCoy; “Les coins coupés” uma alegoria ao rock americano e ao circo que o rodeia, onde a subtileza do título ( “Cut corner” habitualmente caracteriza uma edição de vinil que foi descontinuada, um dos cantos da capa é cortada pela editora antes dos exemplares seguirem para o distribuidor ) remete directamente para o passado recente da música em suporte de vinil.



Em 2009 Garnier regressou ao nosso léxico. O motivo chamou-se “Freelance, Grover Lewis à Rolling Stone”. Um livro repleto de episódios e histórias deliciosas, no qual presta homenagem ao mentor e amigo Grover Lewis ( 1935 – 1995 ).

Este, uma personagem intensa, complexa e desalinhada, foi jornalista freelancer , actor demasiado fugaz, míope, filho de pais suicidas que em tempos frequentaram o “inner circle” de Bonnie e Clyde, casado aos 19 anos “deixando casamento e filhos para trás como garrafas vazias pelos passeios”. Era originário de Forth Worth, Texas, uma cidade e um estado demasiado acanhados e conservadores para a iconoclastia de um “maverick” como Lewis.

(Grover Lewis)

Como frequentador convicto das margens, a sua ligação à Rolling Stone em 1971 surgiu quase naturalmente. À data, o periódico fundado por Jann Wenner, apesar de Altamont, ainda se movimentava no underground, onde se manteve durante mais um par de anos. O abandono de Lewis em 1973 pode nada ter a ver com o facto, mas a especulação é legítima.

Ao longo de 440 páginas “Freelance” narra a história de Lewis e conta suculentos e inenarráveis episódios jornalísticos. Sejam eles acerca de Paul Newman, Lightnin Hopkins, Allman Brothers, Jack Nicholson , Peckinpah, Robert Mitchum ou sobre a sua turbulenta participação no filme “The last picture show” de Peter Bogdanovish .

Porém, como em tudo, nada melhor do que ouvir o autor:



28/11/09

"Krautrock, Cosmic Rock and its Legacy"


(1ª Edição, Black Dog Publishing, London, UK, 2009)

"KrautrockSampler”, o ensaio que Julian Cope publicou em 1995, permanece uma referência incontornável no campo dos textos dedicados à música moderna alemã pós 1967. Está lá tudo, ou quase tudo, o que qualquer fã gostaria de ter escrito sobre o tema.

Quinze anos passados, embora naturalmente sem o mesmo impacto, a mais valia de “Krautrock, Cosmic Rock and its legacy” reside no facto de concretizar uma abordagem mais profissional e estruturada ao assunto. Sendo que, o aumento da distância relativamente ao tempo e aos acontecimentos retratados, também ajuda.

A Introdução, da responsabilidade de David Stubbs (um dos vários jornalistas/experts que contribuem para o livro), é o enquadramento sócio-político que faltava no livro de Julian Cope. Stockhausen foi sem dúvida importante, mas Stubbs chama a atenção para outros factores históricos que não podem ser negligenciados.

("KrautrockSampler" 1ª edição Head Heritage, UK, 1995)


A contribuição de Erik Davis é igualmente importante para finalmente se perceber que Krautrock e Kosmische Musik não são exactamente sinónimos em matéria de forma e conteúdo.

Ainda que num registo demasiado conciso, alguns dos artistas mais importantes do período (não necessariamente os mais conhecidos), têm aqui o perfil talhado. Mais interessante e inovador é o trabalho sobre os produtores e editoras discográficas. Destaque merece também a introdução de uma “timeline” que, de 1967 a 1975, recorda o que de mais importante sucedeu na Alemanha: na politica, no cinema e na música.

Se juntarmos “Krautrock, Cosmic Rock and its legacy” a “KrautrockSampler” ficaremos a saber tudo o que realmente interessa sobre uma das linguagens musicais mais radicais da segunda metade do século XX. De caminho, convirá também regressar aos discos…

02/07/09

"The Vertigo Label 1969 - 1980"


Consistentemente, desde meados dos anos 80 que os discos de vinil publicados pela Vertigo Records entre 1969 e 1972 são objecto de um enorme culto coleccionista. Como resultado, alguns dos exemplares originais mudaram e mudam de mãos por quantias absolutamente insanas.

Numa perspectiva estritamente musical, quando analiso as 71 edições que fazem parte do catálogo da “Vertigo spiral” ( ou “Vertigo swirl” como também é conhecida ), tenho dificuldade em descortinar as razões que estão na origem de tamanha obsessão.

Com efeito, no inicio da década de 70, a editora que a Philips criou para acompanhar o “underground” da época, publicou um conjunto limitado de discos notáveis ( Gentle Giant, Patto, Paul Jones, Ian Matthews ) e uma outra parcela de registos apenas interessantes ( Black Sabbath, Dr. Strangely Strange, Rod Stewart, Fairfield Parlour ).

Quando ao restante catálogo, dificilmente resistiu ao virar das páginas do calendário e os exercícios de auto indulgência que em grande medida o caracterizaram, seriam hoje, não fora o fenómeno coleccionista que não tem parado de crescer, pouco mais do que meras notas de rodapé.



Yuri Grishin, no âmbito da sua saga sobre as “Famous British Collectable Record Labels”, acaba de publicar “Vertigo Label 1969-1980”. A edição, com uma estrutura gráfica que pouco diverge dos trabalhos que o autor já publicou sobre a Island, Harvest e Charisma Records, apresenta-se tão documentada e exaustiva quanto imagino que o poderia ser (é inclusivamente contada a história de subsidiária Nephenta Records).

Ao longo de 350 absorventes páginas, Grishin assegura a necessária componente histórica, não esquecendo nunca a vertente lúdica. De caminho, fornece um manancial de informação que vai fazer as delícias de todos aqueles que em todo o mundo, literalmente, buscam o seu “Holy Vertigo Grail”

22/06/09

"White light/White heat: The Velvet Underground day by day"


Com a garantia de rigor e competência que o nome de Richie Unterberger acrescenta “White light/White heat: The Velvet Underground day by day” poderá ser o documento mais completo até agora escrito sobre a banda nova-iorquina.

Com cerca de 368 páginas, o livro debruça-se sobre sessões de gravação, discos, concertos, artigos de imprensa e demais “fait-divers” na vida do grupo.

Unterberger entrevistou mais de uma centena de pessoas – músicos, produtores, jornalistas, familiares, cineastas, empresários, fotógrafos - que , de alguma maneira, no passado se cruzaram com a banda ou algum dos seus elementos ( porventura os únicos não abordados terão sido os sobreviventes Lou Reed, John Cale e Maureen Tucker ).

A informação resultante é profusa e quase obsessiva . O livro é naturalmente um documento histórico com uma vincada componente de entretenimento.

25/05/09

"Galactic Ramble"


Pensado e editado por Richard Morton Jack, usufruindo da colaboração de uma dezena de eruditos ( alguns dos quais estiveram na origem de “The Acid Archives” em 2006 ), “Galactic Ramble” representa a mais recente e criteriosa abordagem à história da música popular britânica dos anos 60 e 70.



Na nota introdutória, o editor refere que Galactic Ramble “se reporta genericamente aos álbuns pop, rock, folk e jazz britânicos publicados entre 1963 e 1973” mas, as semelhanças com o conhecido “The Tapestry of Delights” de Vernon Joynson, o trabalho com que Ramble mais tentadoramente compara, terminam praticamente aí.



Neste livro não está presente a obsessão por discografias completas. Ao contrário, existiu a preocupação de, a partir de um conjunto alargado de nomes artisticamente relevantes, fazer referência crítica e informativa a apenas alguns dos seus álbuns. Aqueles que os autores reputam de mais importantes.



A verdadeira inovação porém encontra-se na forma como os discos são abordados. Para além da data de publicação ( tão rigorosa quanto é possível, segundo o editor ) e de um comentário crítico actual, a grande maioria dos itens inclui também excertos das críticas de que os álbuns foram objecto por parte das publicações especializadas da época. Um pequeno grande detalhe que permite comparar o que se disse e escreveu quando da respectiva edição original com aquilo que hoje se pensa dos mesmos, a uma confortável distância de 35, 40 anos.


Além de duas secções independentes onde são mostradas fotos a cores de um conjunto de raridades, “Galactic Ramble” opta por não incluir as capas dos discos a que faz referência. Aqui e ali apenas fotografias dos artistas e, de quando em vez, reproduções de posters vintage ou outro tipo de “memorabilia” criado pelas editoras quando da promoção das edições. Uma opção que não só resulta bem do ponto de vista gráfico como ajuda a contextualizar as posturas musicais com a realidade política e social em que se inseriam.



Os tops elaborados pelos diversos colaboradores fazem parte do habitual folclore neste tipo de publicações e pouco acrescentam. Porém, ao longo de 500 páginas, o fundamental são as cerca de 3.000 referências a álbuns que todos nós gostaríamos de ouvir pelo menos uma vez na vida.

Caso o tema seja do vosso interesse, não deixem de consultar http://www.galacticramble.com/ .