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03/11/13

Artefactos ( 34 )


O Atalho já se teve oportunidade de se referir a Al Simones, aqui e aqui .

Volta ao tema, apenas para sinalizar "Simones, 20th Anniversary 4 LP Box-Set Edition 1992-2012". a reedição dos quatro álbuns originais numa luxuosa e limitada ( 500 exemplares ) Box Set incluindo um detalhado e apelativo booklet.

 

25/10/13

Artefactos ( 33 )


Já o referi aqui  no Atalho. Tony Dale além de um inspirador, foi um amigo.

Na sua editora, Camera Obscura Records, activa entre 1997 e 2009, publicou alguns dos mais interessantes e visionários projectos da música moderna. Tenho inclusivé fundadas dúvidas que, após o assentar da poeira do tempo, seja possível escrever com seriedade sobre a história da música daquela época sem lhe fazer a devida vénia e uma vincada referência.

Um dos artefactos que mais ciosamente guardo é a compilação “Seratonin Ronin”. Publicada em 1998 numa edição especial de 50 unidades ( o meu exemplar ostenta o nr. 37 ), inclui 17 temas,  parte deles inéditos à data.

Os nomes incluídos vão desde os Alchemysts até Salamander, passando por Green Pajamas, Abunai, Stone Breath, Primordial Undermind, Azuza Plane ou Alastair Galbraith.

E pouco mais haverá a acrescentar. A não ser que encontrar um exemplar deste artefacto deve ser uma tarefa quase impossível e seguramente onerosa.  

05/06/13

Artefactos ( 32 )


Finalmente!
Raro EP Promocional, publicado no Reino Unido em 1972 pela CBS ( número de exemplares não determinado ).
Inclui seis temas igualmente repartidos por Anne Briggs, C.O.B. e Therapy e, respectivamente, retirados dos álbuns "The Time has come" ( 1971 ), "Spirit of Love" ( 1970 ) e "Almanac" ( 1972 ).

01/12/12

Artefactos ( 31 )

 
Numa edição limitada de 1000 exemplares (500 em vinil transparente, os restantes em vinil azul) e destinada a ser comercializada nos concertos da tournée de promoção do álbum "The russian wilds", o mais recente single dos californianos Howlin Rain é uma pequena delícia.
 
Plasmadas no 45 rotações encontram-se versões de dois temas históricos e emblemáticos. No lado A "When the morning comes" e no flipside, "Collage", uma demo do tema entretanto incluído no álbum acima referido.
 
"When the morning comes" assinada por Robert Hunter e Jerry Garcia foi publicada em 1969 como "Till the morning Comes" em "American Beauty" dos Grateful Dead. "Collage" de Patrick Cullie e Joe Walsh, é uma das mais distintas peças incluídas em "Yer Album" dos James Gang também de 1969.
 
A picture sleeve é deveras apelativa. Dois retaratos aguarela; dum lado Jerry Garcia, do outro Joe Walsh. Presentes portanto todos os ingredientes necessários para transformar este artefacto numa futura peça de colecção.
 
 

18/11/12

Artefactos ( 30 )

Houve um tempo em que Rádio, além de lúdica e informativa, era também formativa.
 
E constituía um prazer imenso, poder participar nessas viagens ao centro da música, da cultura e da inteligência.
 
Aqui o "yours truly" teve o privilégio de integrar algumas dessas expedições. O magnífico "Pretérito Quase Perfeito"- depois do "Em Órbita", provavelmente o programa de rádio em Portugal que melhor tratou a música - , da autoria de Paulo Augusto ( por onde andas companheiro? ) e Rui Morrison, foi um desses momentos inesquecíveis.
 
Artesanais embora, deixo testemunhos fotográficos de alguns dos guiões criados para o efeito.
 
 
 
 
 

03/11/12

Lost Nuggets ( 56 )

 
Various "A Psychedelic Psauna" c/ insert ( Delerium Records DELP005 ) 2xLP, UK, 1991

- A word from our sponsor
- Sundial - "Mind train Jam"
- Magic Mushroom Band - "Don't be afraid"
- Nick Riff - "Lost & Wild"
- The Petals - "Poisened air"
- The Porcupine Tree - "Linton Samuel Dawson"
- Poisened Electric Head - "Snobs"
- The Bevis Frond - "Cold, Rain & Snow"
- Alice's Orb - "Don't know if i should"
- John Fallon - "Summers end in San Francisco"
- The Gothics - "The quest"
- Tyrnaround - "Hello or Goodbye"
- The Colored Plank - "Black Ferris Wheel"
- Cosmic Kangaroos - "Ritual People"
- Reefus Moons - "Mr & Mrs Creature"
- Marshmallow Overcoat - "13 ghosts"
- Mandragora - "Conspiracy"
- Dr. Brown - "Freakbeat"
- Ozric Tentacles - "Erp riff 83"
- The Jasmine Love Bomb - "That river"
- Dimentia 13 - "Do the jerk off"
- The Trodds - "The stalk"
- Treatment - "Nightmare"

Notas de Richard Allen

Capa: Dan Abbott.
Insert: Dale Simpson

11/10/12

Artefactos ( 29 )

 
 
"O meu único senão relativamente ao Paraíso é o receio de que lá não existam nightclubs"

Tom Waits . 1979. Anos antes de conhecer Kathleen Brennan, a sua Yoko Ono.
 
 
Em cima um dos primeiros textos publicados em Portugal sobre Tom Waits. Algures nos finais de 1979. O jornal chamava-se A Voz do Povo (para ouvir clicar sobre o nome, para ler clicar sobre a imagem).

14/09/12

Artefactos ( 28 )



Segundo número da série "Terrascopedia", um projecto peregrino ( mais um ) de Phil McMullen a partir do Terrascope Headquarter.
 
Tal como a anterior, esta pequena brochura, foi na sua totalidade composta e impressa manualmente.
De acordo com o autor, cada página leva cerca de um dia a compor. Daí que a edição seja naturalmente limitada ( este número conheceu apenas 60 exemplares ).
 
Sobre o conteúdo o Atalho não acrescentará mais nada. Quem conhece os parâmetros estéticos do Terrascope não precisará dessa informação.
 
Direi apenas que se trata de mais um artefacto que o presente e, sobretudo, o futuro guardarão com muito agrado.
 
Temo no entanto que, por esta altura, a edição já tenha esgotado. 
 
 
 
 
 

06/08/12

Artefactos ( 27 )


Para todos aqueles que como o Atalho se interessam pela música popular, respectiva cultura e movimentos sociológicos associados, a literatura e o jornalismo relacionadas com o fenómeno, são espaços sempre a ter em conta e a visitar amiúde.
A história da música moderna está repleta de obras/ensaios literários e peças jornalísticas imprescindíveis ( algumas delas já foram aqui referidas no Atalho ) para a boa compreensão das diversas opções criativas dos últimos 50 anos.


Não cabe, nem creio ser tarefa fácil efectuar o levantamento exaustivo do que foi escrito, por quem foi escrito e sobre o que foi escrito. É imensa a bibliografia existente - sendo que grande parte dela permanece pouco divulgada, quando não desconhecida.
Não obstante e porque recentemente tive necessidade de voltar a reler alguns textos, aqui ficam três sugestões de consulta, na plena convicção de que a partir delas, surgirão muitos outros locais de peregrinação obrigatória.

25/06/12

Milton Nascimento, uma reflexão


Tô cheio de cicatrizes, tô cansado, sou um cara triste e isso não depende de mim, quase nunca rio, mas quando me virem rir é porque é verdade… (Milton Nascimento )

Não é exactamente o tipo de sonoridade que melhor se enquadra nos padrões do Atalho mas, a propósito de mais uma anunciada visita de Milton Nascimento, deixo uma reflexão, com a perfeita convicção que muitos anos volvidos sobre os episódios que abaixo relato, continuamos a falar de um dos maiores compositores do Brasil e de uma das mais belas e versáteis vozes humanas em actividade  ( “ … a mais fantástica voz de homem que actualmente se pode ouvir …“, Rock & Folk nr. 113, Junho 1976 ).

Na primavera de 79, entre livrarias, discotecas, bistrots mal amanhados, Centro Pompidou  e galerias de arte, eu e o João Lisboa, “vagueávamos” nas ruas de Paris, sempre hesitantes entre a rive gauche e rive droite. A determinada altura parámos surpresos. Num dos placards publicitários especificamente colocados para o efeito, um cartaz anunciava um concerto de Milton Nascimento no Olympia.  As nossas reservas monetárias estavam no limite da sobrevivência e o tempo escasseava, pelo que a presença no concerto estava fora de questão.

Ainda assim, porque a admiração era enorme, procurámos chegar à fala com “Bituca” para,  no mínimo, obter uma entrevista. Já não faço a menor ideia como descobrimos o hotel onde estava hospedado, mas conseguimos contactar Wagner Tiso (o pianista e amigo ) que nos informou que dentro de uma semana, Milton estaria no Coliseu para dar o seu primeiro concerto em Portugal.  Entrevista de imediato combinada para o dia da chegada a Lisboa.

Na data e no local previamente acertados, aguardávamos. Milton chegou com o seu secular boné , óculos escuros sonolentos, estômago proeminente -  apanágio de todo o mineiro que se preza - , mas completamente vergado pelo cansaço. Honesta e humildemente pediu desculpa por não nos conceder a entrevista. Precisava descansar para o concerto da noite no Coliseu. “Mandem-me as perguntas para esta morada”, atirou. “Eu respondo na volta do correio.”

Nessa noite um Coliseu a abarrotar, funcionou como anfitrião para uma das mais dotadas vozes humanas que teve oportunidade de escutar e deliciou-se com  16 canções magnificas; melodias construídas por Milton em torno de poemas seus, de Fernando Brant, Ruy Guerra, Ronaldo Bastos e Márcio Borges.
Desde esse dia, “nada mais foi como dantes”. Nem podia!

Cerca de um mês depois, o cidadão Milton Nascimento, endereçou uma carta aos cidadãos Luis Peixoto e João Lisboa. No interior, dactilografadas, vinham as respostas às perguntas que lhe tinham sido oportunamente remetidas …

05/06/12

Artefactos ( 26 )

"Hey Joe" (Version) e o célebre "Piss factory", são as duas primeiras gravações conhecidas a Patti Smith. O single foi inicialmente publicado em mono pela MER Records em 1974, numa edição reduzida e sem capa.
Mais tarde, em 1977, no auge da popularidade da autora, a Sire reeditou o single respeitando a versão mono, mas acrescentando a picture sleeve.
A primeira edição é absolutamente impossível de encontrar. A segunda surge, por vezes, a preços insanos e injustificáveis. 




26/04/12

Artefactos ( 26 )

A milhas cósmicas de distância, "A Memória do Elefante" (1971-1974), permanece a revista/fanzine mais inteligente, inovadora e marcante de todas quantas foram publicadas em Portugal sobre música ( primeira fase do Blitz incluída ).

17/04/12

Dead Sea Apes "Astral House"


Depois de “Soy Dios” o extraordinário EP de estreia datado de 2010, os Dead Sea Apes estão de regresso aos projectos próprios com um novo EP, Astral House”. A banda de Manchester permanece um “very well kept secret” mas a respectiva reputação junto do circuito underground não cessa de crescer. Prova disso mesmo é a participação nas compilações “Keep off the Grass” e “Head Music” ambas da responsabilidade da Fruits de Mer Records.

Se “Soy Dios” tinha sido uma pedrada no charco, atempadamente registada aqui no Atalho, “Astral House” segue-lhe as pisadas com uma urgência inaudita, como se o passado fosse amanhã e o presente conjugado no pretérito. Confusos?

Escutem “Bikini Atoll”, um local onde o “drone” se mistura com o “doom” e ambos batem à porta das velhas e celebérrimas jams psicadélicas. “Dead Fingers Talk” são guitarras e um órgão que aparentemente nascem em Canterbury ( Soft Machine, Caravan ) mas que rapidamente ganham dimensão épica, entram numa espiral frenética, num serpentear desesperado, em busca de uma saída rumo ao espaço. E a bateria e o baixo, sempre presentes e imperturbáveis.

Como parece querer transformar-se numa tradição, o terceiro tema do EP, assume contornos claramente Floydianos. No inicio julgamos pairar sobre “Live at Pompeii ou “Echoes”, a meio estamos a atravessar “Obscured by clouds”, para no final regressarmos ao anfiteatro de Pompeia.



A juntar a estes 22 minutos de música verdadeiramente intensa e para tornar esta edição ainda mais urgente, as primeiras 20 cópias de “Astral House” vêm (vinham) acompanhadas de um CDr Bonus, incluindo mais 7 temas dispersos entre out-takes, ensaios ao vivo ou inéditos. ( vidé foto da cópia do “yours truly” ).

E o álbum “Lupus” está por aí a rebentar …

08/03/12

"SORROW'S CHILDREN, The Songs of S.F. Sorrow"


Por uma questão meramente geracional, cheguei tarde aos Pretty Things e, confesso, “S.F. Sorrow” ( 1968) nunca me impressionou por aí além. Depois aquela velha disputa sobre qual seria o primeiro “concept album”, se “S.F. Sorrow” se “Tommy”, sempre me pareceu estéril e desprovida de sentido. Neste contexto, o mais badalado álbum dos Pretties era um assunto mais ou menos encerrado para mim. Até há dias!

Um amigo teve a gentileza de me fazer chegar um cópia promocional de “Sorrow’s Children”, um projecto da ( www.fruitsdemerrecords.com ) o qual pretende ser um tributo ao lendário disco dos Pretty Things. Após uma, duas, três audições, o cepticismo dissipou-se e a empatia cresceu. Voltei ao original.
Encontrei-o algo datado, mas as canções, a grande maioria delas, estão lá na sua adequada dimensão, quer no tempo quer no modo.

E “Sorrow’s Childen”?


Bom, com tal matéria prima de base e acolhendo versões inventadas por algumas das melhores bandas do underground neo-psicadélico, como The Luck of Eden Hall, The Seventh Ring of Saturn, Hi-Fiction Science, Earthling Society, Sky Picnic, Langor, Sidewalk Society, King Penguin ou The Loons entre outras, o difícil seria “Sorrow’s Children, The Songs of S.F. Sorrow” não ser uma aposta ganha.

(The Seventh Ring of Saturn)

Mais de 4 décadas volvidas sobre a sua criação, fruto do talento de quem as recria e beneficiando das novas tecnologias de estúdio, canções como “SF Sorrow is Born”, “Private Sorrow”, “I see you”, “She says good morning” e, sobretudo, a encerrar o álbum, a enorme “Old man going” e a cativante “Loneliest Person” ( respectivamente versionadas por King Penguin e The Loons ) adquirem para o Atalho uma dimensão que provavelmente sempre tiveram, mas a que por uma razão ou por outra nunca prestei a devida atenção ou avaliei correctamente.

Arrumada a questão das canções, permito-me sublinhar a qualidade do projecto ( uma edição em vinil colorido, servida numa capa dupla com um artwork absolutamente fabuloso e limitada a 700 exemplares ), muito por culpa também da mestria e do talento dos novos grupos aqui presentes.

Os chamados “tribute albuns” são normalmente uma seca. “Sorrow’s Children” é uma gloriosa excepção. Ao nível de outras como os tributos a Tom Rapp ( “For the dead in space” ) , Byrds (“Time between” ), Gene Clark ( “Full circle” ) ou Syd Barrett ( “Asyd Vinyl”), por exemplo.

700 exemplares, com publicação agendada para o inicio de Abril. Depois não digam que ninguém os avisou …

14/02/12

"Keep off the grass" Various


De quando em vez surgem objectos artísticos ( livros, discos, pinturas, filmes, esculturas ….) que, despertam a paixão e nos fazem parar. Como se nada mais existisse naquele momento, fazendo com que tudo o resto, o que quer que seja, não tenha a menor importância. Tudo isto obviamente na medida certa e salvaguardando as fronteiras que o bom senso individual delimita.

A mais recente compilação publicada pela Fruits de Mer Records “Keep off the grass” é, tem sido, para mim um desses objectos. Um duplo álbum, belíssima capa dupla, vinil colorido, edição limitada, “Keep off the grass” são cerca de 85 minutos de música sem tempo e, acima de tudo, para além dele.

Explicando melhor : 19 bandas mais ou menos alinhadas com as actuais correntes psicadélicas acorreram à chamada e reinterpretam 19 clássicos da história do psicadelismo. O Atalho não se atreve a destacar nenhuma das prestações, o artefacto vale pelo seu todo ( gráfico e aúdio ) mas a título de exemplo sempre dirá que os sortudos que conseguiram deitar a mão a esta preciosidade ( num futuro próximo uma dispendiosa peça de colecção ) poderão escutar The Seventh Ring of Saturn, Permanent Clear Light, Sendelica, The Bevis Frond, Dead Sea Apes, Cranium Pie, The Daedalus Spirit Orchestra ou Earthling Society entre outros, reinventando temas escritos algures no passado por The Aquarium Age, Pink Floyd, The Amboy Dukes, The Sky Saxon Blues Band, Skip Spence, Marc Brierley, Jefferson Airplane ou The Chocolate Watch Band … Um verdadeiro festim!

O resultado de tudo isto é um excesso de emoções e uma gritante ausência de palavras, pelo que a melhor opção é ficar-me por aqui.

No fundo o desafio é simples : “feed your head, but keep off the grass” …



25/01/12

The Owl Service "All things being silent"



Uma nova edição dos meus beloved The Owl Service é sempre um motivo de celebração aqui pelo Atalho. Desta vez trata-se do Volume 3 da saga "The Pattern Beneath the Plough", intitula-se "All things being silent" ( um título à minha medida ) e inclui dois tradicionais retirados aos universo das "murder ballads" ("The Red Barn" e "The Standing Stones" ) adaptados, interpretados e gravados com a mestria habitual no colectivo de Steven Collins.

O single, magnificamente apresentado numa capa de cartão duro, é limitado a 300 exemplares, inclui um postal com a foto do memorial de Maria Marten ( conferir "The murder of Maria Marten" no álbum "No Roses" da Albion Country Band ) , bem como como um mini cdr com os dois temas do single.

Puro deleite e um artefacto mais a juntar aos muitos que os Owl Service já produziram.

17/01/12

Kitchen Cynics "Wooden Bird"


Os Kitchen Cynics – aka Alan Davidson – palmilham as margens underground do folk psicadélico, praticamente desde que me lembro. Sou aliás absolutamente incapaz de referir com exactidão a respectiva discografia, a qual foi erigida em cima de edições privadas, CD-rs mais ou menos obscuros, cassetes ignoradas e tudo o mais que marginalmente tenha servido para registar a fluidez criativa do autor e ajudar a perpetuar uma música que embora de matriz experimental, sabe perfeitamente de onde vem e, por isso, para onde vai.

Dito de outra maneira, tenho seguido com enorme irregularidade as edições de Alan Davidson. Mas sempre que regresso, encontro sempre a mesma inesgotável veia criativa, o respeito pela tradição da Caledónia acoplado à sempre presente vontade de inovar , e o absoluto desprezo pelo “negócio” da música. Em suma, um artesão e uma música feitos à medida do Atalho.

Wooden Bird” ( uma edição em vinil limitada a 110 exemplares ) é um daqueles artefactos que já não se usa. Um verdadeiro “labour of love”: todas as capas são diferentes, desenhadas artesanalmente por Luigi Falagario ( a que a cima se reproduz, é exclusiva e reproduz o meu exemplar ). Não será objecto de qualquer reedição.



A música essa plana sobre a serenidade das ancestrais melodias escocesas, intimista lembra Nick Drake, por vezes parte à aventura psicadélica ( Tom Rapp e os Pearls Before Swine são uma recordação incontornável, e estou a pesar muito bem as palavras ), mas raramente perde o norte e tem sempre presente a matriz rural que lhe serve de âncora.

Os 10 temas que fazem “Wooden Bird” são na avaliação (porventura suspeita e tendenciosa ) do Atalho uma absoluta delicia. E até “Davey”, um original de Roy Harper recuperado ao álbum “Flat Baroque and Berserk” (1970) soa aqui como uma cereja no topo do bolo.

Na música, como nas outras artes, por vezes como na própria vida, é nas margens do sistema - seja ele qual for - que se encontram as criações mais belas e consistentes. Os valores e as pessoas mais perenes.


12/01/12

Artefactos ( 25 )



Após largos anos de uma demanda quase insana à volta do mundo, o carteiro acaba de me entregar em mão, um dos artefactos que mais trabalho me deu para conseguir.

Uma cópia original do vinil de Turiiya "Waiting", editado em 1986 na Nova Zelândia pela Jayrem Records (JAY 138). A acompanhar o LP, um bonus inesperado: um postal onde Jyoshna La Trobe, uma das Turiiya, me deseja um bom ano e agradece a minha persistência.

My day is done!

20/12/11

Mad River "Jersey Sloo"



Quem conhece o psicadelismo californiano sabe da enorme importância, embora quase nunca relevada, dos Mad River. O álbum homónimo “Mad River” ( 1968) e “Paradise Bar and Grill” (1969), sobretudo o primeiro, são dois artefactos incontornáveis, absolutamente compatíveis com a cena musical local da época e no entanto diferenciadores o suficiente para justificarem uma análise autónoma relativamente aos óbvios Doors, Jefferson Airplane, Grateful Dead, Quicksilver ou Big Brother .

A ligação afectiva e efectiva ao escritor e guru da contracultura Richard Brautigan também ajudou e hoje, quando à tranquila distância de 40 anos, se olha para o psicadelismo californiano não há como ignorar as páginas escritas em São Francisco pelos Mad River.

O Atalho não irá debruçar-se excessivamente sobre a história da banda . A chamada de atenção tem sido feita amiúde e por gente muito mais qualificada. Os discos existem e estão reeditados. E com a multiplicidade das actuais opções tecnológicas podem ser escutados sem qualquer dificuldade.





Este texto pretende apenas noticiar e primeira edição legal de 5 temas míticos gravados algures em 1967 e que apenas haviam circulado através de artefactos piratas com maior ou menor relevância áudio.

Sob a forma de um 33 rotações, o EP inclui no lado A “Jersey Sloo”, um clássico do “Bay Area Sound” , com as duas guitarras ora soltas ora entrelaçadas no mais puro estilo Quicksilver. Pena que o tema dure pouco mais de 2 minutos. O flipside integra as restantes 4 canções ( registadas nas chamadas Dayton Sessions ) e ainda que nenhum atinja a dimensão/concisão estilística de “Jersey Sloo”, acrescentam história à já enorme história dos Mad River.




Quanto ao package, diria: já não se usa. A front-cover, respeitando o artwork da época ( os autores são John Hurford e Jonathan Hill ), acolhe um fabuloso booklet de 36 páginas a cores, com dezenas de fotos inéditas, e onde, após uma introdução de Phil McMullen, David Biasotti contando com a colaboração dos ex-membros do grupo, enquadra e relata TODO o legado dos Mad River.



Eventuais interessados devem procurar em ( http://www.starryeyelandlaughing.com/madriver.htm
) quanto antes, pois a edição é limitada e também por essa razão potencialmente coleccionável.

15/12/11

Jacques Vassal, Randy Newman e eu


Finais de 1979. Numa das minhas primeiras visitas a Paris, tinha previamente planeada uma conversa/entrevista com Jacques Vassal, redactor da revista Rock & Folk e, à data, uma das referências continentais no que dizia respeito à música de inspiração folk americana, britânica e francesa.
 

Encontrada a rua e o número, transposta a enorme e característica porta de madeira que os velhos edifícios parisienses sustentam e consultada a “concierge” – “Monsieur Vassal, 1er étage, s’il vous plait” – subimos ( eu e o João ) as escadas e tocámos a respectiva campainha. 30 segundos volvidos , nada aconteceu. No interior do apartamento eram perfeitamente audíveis o piano e voz inconfundíveis de Randy Newman. Nova insistência, não fora a campainha não ter cumprido devidamente os propósitos para os quais ali tinha sido colocada. A porta permaneceu fechada. Lá dentro, a voz nasalada de Newman continuava a arrastar-se por entre as palavras de “Sail Away” .



Por fim calou-se. Segundos depois a porta abriu-se e Monsieur Vassal, ostentando um sorriso de orelha a orelha, fez as honras da casa enquanto simultaneamente pedia desculpa por não ter aberto a porta atempadamente … Era uma regra sua não o fazer enquanto a canção, qualquer canção em escuta, não terminasse.
A esta regra, que fazia questão de cumprir religiosamente, acrescia o facto de Randy Newman ter agendado para essa mesma noite um concerto no Teatro dos Campos Eliseos e, como tal, “precisava de reescutar a sua discografia para se preparar”.




Recordo-me de termos falado de Randy Newman, do seu humor corrosivo, das suas canções peculiares e do estatuto que a sua música principiava a ganhar na Europa. Julgo que não cheguei a abordar com Monsieur Vassal nenhum dos assuntos que me tinham levado a procurá-lo. A dada altura, pediu imensa desculpa mas por razões profissionais necessitava de voltar a escutar Little Criminals”, outro álbum seminal do californiano. E como tal …

Escusado será dizer que a performance de Randy Newman dessa noite foi, aos meus olhos e ouvidos, absolutamente assombrosa. Entre outras coisas, recordo-me que, quando a última nota do piano de “Old man” se dissipou na acústica do Theatre des Chanps-Elysées, e imediatamente antes da sala ribombar em aplausos, na assistência alguém gritou: “Parfait!”. Terá sido Monsieur Vassal?